Orçamento da Educação: Marcelo Bussiki contesta tese de pedalada e aponta investimento de R$ 120 milhões
Por Luizão —

Secretário de Economia de Cuiabá rebateu acusações de Amauri Monge em sessão na Câmara, justificando remanejamentos devido à dívida bilionária herdada da gestão anterior.
O secretário Municipal de Economia de Cuiabá, Marcelo Bussiki , contestou formalmente perante a Câmara de Vereadores as acusações de que a administração municipal teria cometido uma "pedalada fiscal" nas contas da Secretaria de Educação. Em depoimento técnico, o gestor sustentou que a prefeitura aplicou, no ano passado, R$ 120 milhões a mais no setor educacional do que o montante registrado no ano de 2024. De acordo com Bussiki, os remanejamentos e o volume de despesas que migraram para o Orçamento seguinte ocorreram para suprir demandas emergenciais da própria Pasta, sem qualquer ocultação de dados contábeis. "O ex-secretário Amauri trouxe um termo inadequado. O que ficou de fato? Foi investido mais R$ 120 milhões em relação a 2024. Se comparado ao que estava previsto na LOA [Lei Orçamentária Anual], investiu-se quase R$ 30 milhões a mais", rebateu o secretário de Economia. Ele detalhou que a equipe técnica já previa que essas despesas seriam inscritas como restos a pagar devido à necessidade operacional apontada pela Educação. Dívida bilionária herdada impactou o caixa de 2025 Durante a prestação de esclarecimentos, Marcelo Bussiki argumentou que o plano financeiro da gestão liderada pelo prefeito Abilio Brunini precisou ser adaptado para lidar com um expressivo passivo financeiro acumulado. Os relatórios contábeis apontam que a atual administração herdou um endividamento global de R$ 2,3 bilhões , deixado pelo ex-prefeito Emanuel Pinheiro, o que impediu o fechamento das contas no azul. O secretário apresentou dados sobre a situação do balanço financeiro municipal: Potencial de Superávit: Bussiki explicou que, caso Cuiabá não estivesse sobrecarregada pelo estoque de passivos passados, a execução orçamentária de 2025 teria gerado um saldo positivo de R$ 140 milhões em caixa, configurando o melhor desempenho financeiro da capital nos últimos 10 anos. Amortização de Curto Prazo: Por conta do passivo financeiro, recursos do exercício corrente foram canalizados para quitar pendências atrasadas, prioritariamente folhas de pagamento de servidores. A estratégia de choque de gestão e cortes permitiu reduzir as dívidas de curto prazo de R$ 1,250 bilhão para R$ 850 milhões ao fim de 2025. O gestor explicou que a verdadeira "pedalada" se caracteriza quando o governante omite despesas intencionalmente para simular uma saúde financeira inexistente, dinâmica oposta à adotada pela atual gestão, que discriminou os restos a pagar e apontou que a Educação migrou de 2025 para 2026 com R$ 36 milhões em compromissos pendentes. Investigação sobre apostilas de R$ 800 e uso de Inteligência Artificial O embate político entre o atual secretário e o ex-titular da Educação, Amauri Monge, ganhou intensidade após o encerramento da gestão deste último, em abril. Em junho, o prefeito Abilio Brunini tornou pública uma apuração administrativa sobre indícios de superfaturamento e fraudes em contratos de fornecimento pedagógico que somavam cerca de R$ 80 milhões. Como argumento de defesa, Monge declarou que os remanejamentos de recursos da Educação para outras áreas do governo municipal haviam sido ordenados diretamente pelo prefeito. Por determinação formal emitida em 28 de janeiro de 2026, a prefeitura instaurou um procedimento de auditoria interna por meio da Controladoria Geral do Município (CGM). A ação preventiva conseguiu suspender o andamento da compra dos materiais didáticos, evitando um desembolso estimado em R$ 70 milhões dos cofres públicos. Os relatórios de inteligência da CGM identificaram as seguintes desconformidades no processo: Preços Fora de Mercado: Foram localizados itens contratuais com valores considerados incompatíveis com a realidade comercial, incluindo livros didáticos cuja unidade custaria R$ 800. Uso Suspeito de Tecnologia: A auditoria encontrou indícios de que os materiais pedagógicos licitados teriam sido elaborados, em tese, de forma automatizada com o emprego de ferramentas de inteligência artificial (IA), sem o devido controle de autoria técnica. Diante da gravidade dos indícios apurados, o dossiê foi formalmente compartilhado e encaminhado para providências junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE-MT), Polícia Federal e Polícia Civil.