Otaviano Pivetta revela custo anual de R$ 20 milhões e defende privatização da Arena Pantanal
Por Luizão —

O governador de Mato Grosso afirmou que o Estado não tem vocação para gerir o complexo esportivo construído para a Copa de 2014 e estuda modelos de concessão para a iniciativa privada.
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) , anunciou publicamente o plano de transferir a gestão da Arena Pantanal para a iniciativa privada. Em entrevista à Rádio CBN Cuiabá, o chefe do Executivo estadual revelou que a estrutura consome aproximadamente R$ 20 milhões por ano dos cofres públicos com manutenção e custos operacionais, defendendo que o mercado privado possui maior dinamismo para gerir o ativo de forma sustentável. “Vamos trabalhar para a privatização da Arena Pantanal. Nós, do Estado, não temos vocação para fazer essa operação, não é esse nosso forte. Basta ver o que acontece no Brasil e no mundo: todo esporte e lazer são autossustentáveis” , ponderou Pivetta, traçando um paralelo com o futuro modelo de gestão do Parque Novo Mato Grosso, complexo multiuso também em fase de desenvolvimento na capital. Burocracia Pública e Atração de Investimentos Para o governador, a centralização do estádio sob a tutela do funcionalismo público engessa o potencial econômico da praça esportiva devido aos entraves burocráticos inerentes à administração estatal. A meta do projeto é repassar a responsabilidade estrutural para que consórcios privados explorem comercialmente o espaço, promovendo uma agenda contínua de eventos, locações, serviços e jogos capazes de gerar receitas próprias para cobrir as despesas de manutenção. Apesar da diretriz política já estar traçada, o Palácio Paiaguás ainda mantém cautela técnica e não bateu o martelo sobre o formato jurídico da desestatização: Modelos em Análise: Equipes técnicas realizam estudos de viabilidade para definir se a transferência ocorrerá via concessão comum por prazo determinado, Parceria Público-Privada (PPP) ou privatização integral (venda do ativo); Histórico Financeiro: Erguida originalmente para sediar quatro partidas da Copa do Mundo de 2014, a Arena Pantanal demandou um investimento público histórico na casa dos R$ 600 milhões. Ao longo dos últimos anos, o complexo deixou de ser um "elefante branco" e consolidou-se como o principal polo esportivo e cultural do estado. Além de ser a casa do Cuiabá Esporte Clube na elite do futebol brasileiro, o gramado e o entorno da arena foram convertidos em palco para grandes festivais de música sertaneja e shows de relevância internacional, como a apresentação da banda norte-americana Guns N' Roses. 🔎 O que é uma Concessão Pública de Ativos Esportivos? No âmbito do Direito Administrativo e da gestão pública, a concessão de um ativo (como um estádio ou arena multiuso) é um contrato de longo prazo pelo qual o Estado transfere para uma empresa ou consórcio privado o direito de explorar comercialmente, administrar e manter um bem público. Diferente da privatização total — onde o patrimônio é vendido definitivamente —, na concessão a propriedade continua pertencendo ao Estado. Em troca do direito de faturar com a venda de ingressos, aluguel de camarotes, estacionamentos, shows, publicidade e direitos de nome ( naming rights ), a concessionária assume a obrigação de realizar todos os investimentos de modernização e arcar com os custos de manutenção, desonerando integralmente o orçamento dos contribuintes.