PF investiga Lulinha após aval do STF
Por Luizão —

André Mendonça autorizou inquérito sobre suspeita de corrupção e tráfico de influência envolvendo filho de Lula e negócios com cannabis medicinal.
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se tornou alvo de inquérito da Polícia Federal. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura da investigação nesta quinta-feira (30/7), que corre em sigilo.
A investigação apura suspeita de que Lulinha tenha cometido crimes de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde, por negócios envolvendo cannabis medicinal.
O que a PF investiga
A Polícia Federal vai apurar se Lulinha teria usado sua influência, como filho de Lula, para facilitar que sua amiga Roberta Luchsinger, dona de uma consultoria, e o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, fizessem negócios com o Ministério da Saúde. O lobista está preso, apontado como figura central em investigação da PF sobre descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.
O Careca do INSS tinha empresa voltada à extração de canabidiol, substância usada no tratamento de diversas condições médicas. Segundo apurado, o lobista esteve no Ministério da Saúde pelo menos cinco vezes desde 2024.
Visitas ao ministério
Nos dias 13 de janeiro e 17 de fevereiro de 2025, ele se apresentou na portaria como presidente da World Cannabis. Nas outras três vezes, em 2024, disse ser diretor de uma empresa de telessaúde, a DuoSystem, que negou ter relação com o lobista. Em ao menos um dos encontros, ele estava acompanhado de Roberta Luchsinger.
Transferência de R$ 1,5 milhão
Segundo documentos da Polícia Federal, o Careca do INSS teria enviado R$ 1,5 milhão a Roberta. Em uma das transferências, o lobista explicou que o dinheiro era para 'o filho do rapaz', possivelmente em referência a Lulinha. Roberta, por sua vez, alega que os valores se referiam a pagamentos por consultorias prestadas ao lobista.
Viagem a Portugal
Em novembro de 2024, Lulinha e o lobista viajaram juntos a Portugal. Segundo a defesa do filho do presidente, ele teria sido convidado para visitar uma fábrica de produtos de cannabis medicinal no país. Os advogados afirmam que a visita não resultou em parceria comercial e que não sabem se a viagem foi custeada por Antunes ou pela empresa portuguesa visitada.
O que diz a defesa
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e defensor de Lulinha, disse ter recebido a notícia da investigação com perplexidade, mas também com serenidade.
'É estranha a notícia sobre a instauração de um novo inquérito. A impressão que passa é de que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de fishing expedition, o que é muito grave. Recebemos, portanto, com estranheza, mas com tranquilidade', disse o advogado.