Pivetta rebate oposição do PT sobre empréstimo de R$ 1,5 bilhão: 'Se fosse governo deles, não teria crédito'
Por Luizão —

Governador Otaviano Pivetta ironizou pedido de vista de Lúdio Cabral e Valdir Barranco em projeto de moradias populares e defendeu a saúde fiscal do Estado antes do prazo limite.
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) , subiu o tom contra a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa. O chefe do Executivo criticou duramente o pedido de vista compartilhado pelos deputados estaduais Lúdio Cabral e Valdir Barranco ao projeto de lei que autoriza o Estado a contratar uma operação de crédito na ordem de R$ 1,5 bilhão , cujo montante será carimbado para subsidiar a construção de 60 mil moradias populares. Os parlamentares petistas formalizaram a obstrução técnica travando a tramitação imediata da matéria. Eles argumentam que a contratação de uma dívida bilionária às vésperas do período eleitoral fere a responsabilidade fiscal e deixará uma pesada "herança" financeira para o próximo ocupante do Palácio Paiaguás. Pivetta ironizou as críticas e atribuiu a capacidade de financiamento à austeridade de seu grupo político: "Nós temos todos os nossos números (...) e eles são tão bons que nós temos crédito para tomar esse empréstimo. Certamente, se tivesse no governo do PT, não teria crédito para nada" , disparou o governador nesta quarta-feira (1º). Corrida Contra o Relógio Eleitoral Apesar da alfinetada ideológica, o governador adotou uma postura pragmática sobre o rito do Parlamento, assegurando que não intervirá nas discussões internas das comissões. Contudo, o Palácio Paiaguás corre contra as restrições da legislação eleitoral. A janela legal para o envio e sanção de projetos estruturantes com impacto fiscal ou distribuição de benefícios fecha rigorosamente neste sábado, 4 de julho . Para evitar a paralisia do programa habitacional, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos) , montou uma engenharia de votação expressa e deve convocar uma série de sessões extraordinárias consecutivas nesta sexta-feira (3), garantindo a análise final em plenário antes do estouro do prazo limite: Foco Social: O governo defende que o projeto possui objetivos transparentes, públicos e visa mitigar o déficit habitacional crônico das famílias de baixa renda no interior e na Baixada Cuiabana; Capacidade de Endividamento: A Secretaria de Fazenda (Sefaz-MT) sustenta que Mato Grosso ostenta Nota A de Rating de Capacidade de Pagamento (Capag) junto ao Tesouro Nacional, o que confere o aval da União para operações de crédito de grande magnitude com juros reduzidos. 🔎 O que define o Pedido de Vista no Processo Legislativo? No âmbito do Direito Público e dos regimentos internos das Casas de Leis (como a ALMT e o Congresso Nacional), o pedido de vista é uma prerrogativa parlamentar que permite a um deputado ou vereador interromper temporariamente a discussão e a votação de um projeto em uma comissão temática ou no plenário. O objetivo legal da medida é garantir tempo hábil para que o parlamentar estude detalhadamente o teor da proposta, analise seus impactos jurídicos, financeiros ou sociais e formule emendas ou um voto em separado. No entanto, embora seja um instrumento legítimo de controle e ampla defesa das minorias, o pedido de vista é frequentemente utilizado pelas bancadas de oposição como uma ferramenta de obstrução política para retardar a aprovação de matérias polêmicas ou de interesse do governo, exigindo da Mesa Diretora a fixação de prazos rígidos de devolução para evitar a caducidade de textos urgentes.