Polícia deflagra operação e prende cinco membros de facção que extorquia empresários em MT

Por Luizão

Polícia deflagra operação e prende cinco membros de facção que extorquia empresários em MT
Polícia deflagra operação e prende cinco membros de facção que extorquia empresários em MT

A Operação Fragmentação cumpriu 30 mandados judiciais entre Mato Grosso e Goiás. Investigação aponta cobrança de taxas a comerciantes e rígido tribunal do crime.

A Polícia Civil de Mato Grosso , por meio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, deflagrou na manhã desta sexta-feira (26) a Operação Fragmentação . A ação interestadual desarticulou uma célula hierarquizada de uma facção criminosa que controlava o tráfico de drogas, mantinha um sistema de contabilidade ilícita e extorquia comerciantes na região do bairro Jardim Iguaçu e adjacências. Cumprimento de Mandados e Alvos em Dois Estados As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Rondonópolis, resultando em uma mobilização integrada entre as forças de segurança de Mato Grosso e de Goiás: Ordens Judiciais: Ao todo, foram cumpridos 30 mandados, sendo 5 ordens de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão domiciliar; Raio de Ação: As diligências concentraram-se em Rondonópolis (MT), além de ramificações operacionais localizadas em Goiânia e Mineiros, municípios do estado de Goiás; Força Tarefa: O trabalho de campo contou com o suporte de delegacias da Regional de Rondonópolis (como Jaciara, Pedra Preta e Itiquira), da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e da Diretoria de Inteligência, além da Polícia Civil de Goiás. Durante as buscas, os agentes apreenderam cadernos de anotações, registros contábeis e aparelhos eletrônicos. O material indicava o controle rígido de pontos de venda de entorpecentes, o cadastro de membros e listas de inadimplência de taxas. Taxas de Comércio e Tribunal do Crime Segundo o delegado Dyulriman Pinto de Andrade Filho, a investigação revelou que o grupo operava uma rede sistemática de arrecadação compulsória de ativos. A facção cobrava mensalidades fixas ("caixinha") de seus próprios integrantes e impunha a cobrança de taxas de segurança abusivas a comerciantes, motoristas e pontos de comércio inseridos nas áreas sob sua influência geográfica. A estrutura interna contava com um núcleo específico de "disciplinas" — criminosos incumbidos de fiscalizar o cumprimento das ordens, auditar desvios de caixa e aplicar punições físicas ou execuções contra membros inadimplentes ou subversivos. De acordo com a Polícia Civil, o nome "Fragmentação" reflete o objetivo tático de golpear simultaneamente os setores de comando, finanças, disciplina e comunicação para isolar e enfraquecer o poder local da organização. 🔎 O que é o Crime de Extorsão Majorada? Previsto no artigo 158 do Código Penal Brasileiro, o crime de extorsão consiste no ato de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica. Quando praticado por duas ou mais pessoas, com o emprego de armas ou no contexto de milícias e facções criminosas (cobrança de taxas de comércio), o crime é tipificado como extorsão majorada. A pena é severa, podendo ultrapassar os 10 anos de reclusão, uma vez que a conduta viola não apenas o patrimônio da vítima (como no estelionato ou furto), mas atenta diretamente contra a sua integridade física, liberdade individual e o livre exercício de sua atividade profissional.