Polícia vê estratégia em refúgio de líder do CV na Bolívia

Por Luizão —

Angélica Saraiva de Sá, a Angeliquinha, foi capturada na Bolívia.
Angélica Saraiva de Sá, a Angeliquinha, foi capturada na Bolívia.

Capturada em Santa Cruz de la Sierra com plásticas faciais, 'Angeliquinha' acumulava 260 anos em condenações e comandava crimes no norte de MT.

A Polícia Civil de Mato Grosso avalia que a ida de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, funcionou como movimento planejado para intermediar remessas de entorpecentes ao Brasil. A investigada, apontada como articuladora do Comando Vermelho no extremo norte do estado e responsabilizada por cerca de 80% dos assassinatos da facção em municípios como Alta Floresta, foi capturada pelas forças de segurança na terça-feira, 22 de setembro.

Articulação na rota internacional de drogas

Segundo a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o local escolhido não foi por acaso, já que o país vizinho constitui um dos principais eixos de entrada de cocaína e disputa entre grupos rivais:

'Eu vejo que a Bolívia foi uma escolha estratégica. Vamos continuar a investigação para saber o porquê de ela estar lá e não ter ido para o Rio de Janeiro. É uma região de entrada de drogas, onde há uma guerra entre as duas facções criminosas que atuam no Brasil [...]. Para ela estar em Santa Cruz de la Sierra havia algum motivo, e é o que a gente vai apurar agora', explicou o delegado titular Victor Hugo Caetano de Freitas.

As apurações contam com cooperação das autoridades policiais bolivianas, de agentes da Draco e da Polinter. Perícias e rastreamentos telemáticos serão processados para mapear interlocuções com comparsas e formalizar os trâmites diplomáticos de recambiamento ao sistema prisional nacional.

Histórico de fugas e alterações faciais

A foragida escapou em agosto de 2025 da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Ao longo do período em fuga, acumulou seis ordens judiciais de prisão e reúne penas condenatórias definitivas que ultrapassam 260 anos de reclusão por homicídio qualificado, tráfico de drogas e formação de quadrilha.

Durante a estadia no país vizinho, a investigada se submeteu a mais de cinco intervenções cirúrgicas na face para modificar a aparência e escapar do cerco policial. No momento da abordagem, ela portava documentação civil fraudulenta, mas foi reconhecida por meio de confrontação fotográfica das equipes especializadas.