Policial penal é condenado por vender Wi-Fi a presos

Por Luizão

A juíza Djéssica Giseli Küntzer, que assina a sentença
A juíza Djéssica Giseli Küntzer, que assina a sentença

Flávio Zanatta pegou 23 anos de prisão por facilitar entrada de drogas e celulares em presídio de Pontes e Lacerda; cinco detentos também foram condenados.

A Justiça de Mato Grosso condenou o policial penal Flávio Zanatta a 23 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado, por participação em esquema criminoso de entrada de drogas, celulares e outros materiais ilícitos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pontes e Lacerda.

A investigação também demonstrou que o servidor comercializava a senha da rede Wi-Fi da unidade aos detentos, pelo valor de R$ 1 mil.

A sentença foi proferida pela juíza Djéssica Giseli Küntzer, da 3ª Vara da Comarca do município. Além da condenação criminal, a magistrada determinou a perda do cargo público do policial penal. Na mesma sentença, cinco detentos do CDP também foram condenados pelos crimes de tráfico de drogas, associação criminosa, corrupção passiva e coação no curso do processo, conforme a participação de cada um no esquema.

Como o esquema foi descoberto

As investigações começaram em maio de 2024, quando servidores da unidade identificaram 422 gramas de maconha escondidos dentro de um colchão que seria entregue a um detento. A droga foi descoberta durante inspeção com o aparelho de body scanner, instalado recentemente no presídio.

Segundo o processo, o colchão foi comprado por uma familiar de um dos presos e enviado ao CDP por meio de um motorista de aplicativo.

Participação do policial penal

Durante a instrução processual, ficou comprovado que Zanatta usava o cargo para facilitar a entrada de drogas e celulares na unidade prisional. Segundo a sentença, ele recebia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil para permitir a entrega dos materiais ilícitos.

Ameaças a testemunha

A sentença também reconheceu o crime de coação no curso do processo. Conforme os autos, após a descoberta do esquema, os envolvidos ameaçaram de morte um detento que colaborava com as investigações e tentaram convencê-lo a alterar o depoimento, acusando falsamente outros policiais penais de participação nos crimes.

As penas

Todos os réus deverão iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.

Fala da juíza

Na decisão, Djéssica Giseli destacou a gravidade dos crimes e os prejuízos causados à segurança do sistema prisional, especialmente pela participação de um agente público.

'O acusado transformou a função pública que exercia em instrumento de obtenção de vantagens particulares, utilizando-se da posição de agente estatal responsável pela custódia e fiscalização dos privados de liberdade para permitir a entrada de objetos ilícitos', afirmou a magistrada.