Politec descarta incêndio criminoso em prédio da Secretaria de Educação de Várzea Grande
Por Luizão —

Perícia técnica apontou que as chamas no barracão de logística foram causadas por um acidente de origem termoelétrica na fiação de uma câmara fria.
A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu as investigações de campo e descartou a hipótese de ato criminoso no incêndio que destruiu o prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar de Várzea Grande. O sinistro, ocorrido no último dia 17, atingiu o anexo I da Secretaria Municipal de Educação , complexo logístico responsável pelo armazenamento de merenda, insumos e equipamentos escolares. Dinâmica do Acidente e Propagação das Chamas A equipe de peritos criminais utilizou drones para mapear a área colapsada e cruzou dados com depoimentos de testemunhas e gravações de câmeras de segurança do entorno. O conjunto de provas técnicas apontou para uma causa estritamente acidental: Foco Inicial: O fogo originou-se a partir de um fenômeno termoelétrico na fiação estrutural localizada na parte superior da câmara fria utilizada para estocar alimentos congelados. Causa Técnica: De acordo com o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, a literatura pericial indica que o fenômeno pode ter sido desencadeado por uma sobrecarga na rede, curto-circuito ou descarga elétrica contínua, embora a falha exata ainda dependa de análises laboratoriais. Fatores de Propagação: O incêndio ganhou grandes proporções ao atingir o teto e espalhar-se pelos dois lados do pavilhão. Na ala traseira da edificação metálica, o fogo atingiu dois veículos oficiais estacionados adjacentes à câmara fria. A alta carga térmica dos automóveis, somada ao grande volume de materiais combustíveis estocados no depósito, acelerou a destruição total da estrutura. Liberação do Prédio e Prazos do Laudo Com a conclusão dos exames de engenharia legal e dinâmica de incêndio, a Politec liberou a área para os trabalhos investigativos complementares da Polícia Civil. O laudo pericial definitivo, contendo o detalhamento fotográfico, o mapeamento térmico, os testes laboratoriais de vestígios e a reconstituição cronológica das chamas, será finalizado e entregue às autoridades em um prazo de até 30 dias. 🔎 O que é um Fenômeno Termoelétrico na Perícia de Incêndio? No âmbito da engenharia forense e da perícia criminal, o fenômeno termoelétrico refere-se à geração anômala de calor decorrente da passagem de corrente elétrica por um condutor ou conexão que apresenta alguma falha estrutural. Esse superaquecimento costuma ocorrer devido a fatores como o efeito Joule (onde a resistência elétrica gera calor excessivo), conexões frouxas (maus contatos), fios desencapados, condutores subdimensionados para a carga exigida ou curtos-circuitos tradicionais. Quando esse calor atinge a temperatura de ignição de materiais combustíveis próximos — como plásticos, isolamentos térmicos de poliuretano em câmaras frias ou borrachas —, dá-se início ao processo de combustão com chamas, sendo uma das principais causas de incêndios acidentais em instalações comerciais e industriais.