Possível operação do BRT sem licitação divide deputados na Assembleia Legislativa

Por Luizão

Possível operação do BRT sem licitação divide deputados na Assembleia Legislativa
Possível operação do BRT sem licitação divide deputados na Assembleia Legislativa

Lúdio Cabral aponta favorecimento a concessionárias atuais e exige novo certame, enquanto Eduardo Botelho afirma que modelo técnico do modal metropolitano ainda não foi definido.

A tramitação de um substitutivo integral ao projeto do Plano de Mobilidade da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá reacendeu o debate político na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) . O ponto central da divergência entre os parlamentares reside na possibilidade jurídica de que o futuro sistema BRT (Bus Rapid Transit) , que interligará Cuiabá e Várzea Grande, venha a ser operado pelas atuais concessionárias do transporte coletivo local, sem a abertura de uma nova concorrência pública. A polêmica ganhou corpo após vir a público a informação de que o novo texto abre margem legal para que a exploração das rotas do BRT seja absorvida pelos contratos de concessão intermunicipal vigentes. A condição estabelecida na proposta exige a anuência dos entes federativos envolvidos e a comprovação técnica de vantajosidade econômica para o erário, o que gerou reações imediatas na bancada de oposição. Lúdio aponta privilégio a empresas e defende certame obrigatório O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) subiu à tribuna para criticar severamente a redação do substitutivo e alertar para o risco de direcionamento de mercado. Sob a ótica do parlamentar petista, qualquer nova infraestrutura de transporte de massa deve, por preceito constitucional, ser submetida a um processo licitatório amplo para garantir a modicidade tarifária e a eficiência do serviço. Lúdio resgatou o histórico contratual do modal para fundamentar sua oposição: Recuo Anterior: O deputado relembrou que, antes do pleito municipal de 2024, o Palácio Paiaguás anulou uma cláusula que previa a entrega automática do modal à concessionária intermunicipal, prometendo à época uma licitação exclusiva para o BRT. Alteração de Texto: "Esse projeto recebeu parecer contrário e depois apareceu um substitutivo com margem para que a operação do BRT seja feita por quem opera na capital. Objeto novo precisa ser licitado. É legal, mas ineficiente", sustentou. Botelho prega cautela e Moretto delega parecer à PGE Por outro lado, o presidente do Poder Legislativo, deputado Eduardo Botelho (MDB) , buscou panos quentes no debate e argumentou que a modelagem de negócios do BRT ainda se encontra em fase de maturação técnica, carecendo de um desenho definitivo por parte da equipe governamental. Botelho pontuou que o modal operará como um sistema complementar e auxiliar à malha viária existente, o que torna a divisão tarifária um desafio de engenharia financeira complexo. Alinhado à prudência administrativa, o presidente da Comissão de Infraestrutura Urbana e Obras da ALMT, deputado Valmir Moretto (Republicanos) , evitou emitir juízo de valor sobre a legalidade da dispensa de certame e transferiu o crivo de validação para a Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Moretto relativizou o peso político da concorrência pública tradicional: “Nós temos que pensar na população, mas não quer dizer que licitação garante o melhor. Temos que entender quem vai servir melhor. Licitação tem muito, e muita empresa dá problema”, sopesou. Frota elétrica integrada e histórico de atrasos O substitutivo sob análise das comissões temáticas da Assembleia também estabelece as diretrizes para o uso dos 56 ônibus elétricos que foram adquiridos diretamente pelo Estado de Mato Grosso. O texto prevê que esses veículos sustentáveis sejam integrados à frota operacional definitiva do BRT. Anunciado oficialmente em 2023 com um cronograma inicial de entrega estipulado em 24 meses, o projeto de implantação civil do BRT no Vale do Rio Cuiabá acumula sucessivos aditivos de prazo, atrasos estruturais nas frentes de pavimentação e frequentes alterações de rota nas avenidas centrais, estendendo a entrega do modal e alimentando os embates no parlamento estadual.