Prefeitura debate impasse com camelôs no Centro de Cuiabá
Por Luizão —

Trabalhadores transferidos para a Travessa Lobo apontam baixa circulação de clientes, enquanto gestão municipal cobra desocupação das calçadas da capital.
A titular da Secretaria de Ordem Pública de Cuiabá, Juliana Palhares, declarou que o ordenamento do comércio ambulante na área central da cidade exige constante equilíbrio entre a garantia de renda das famílias e a livre circulação nas calçadas. Vendedores que aceitaram a transferência para a Travessa Desembargador Lobo, em frente ao Ganha Tempo, passaram a questionar a viabilidade econômica do ponto e relataram incômodos com a presença de pessoas em situação de rua e problemas de saneamento no entorno.
Reivindicações e rotina na Travessa Lobo
O endereço começou a receber os trabalhadores de maneira experimental em 2025, com o intuito de esvaziar a aglomeração de bancas nas imediações da Praça Ipiranga e em passeios públicos vizinhos. Contudo, relatos indicam queda brusca nas vendas diárias e falta de conservação do espaço:
'Eles alegam ali dificuldades, que as pessoas não vão. Que muitas vezes algumas pessoas em situação de rua urinam, defecam ali, que precisa de uma limpeza', explicou a secretária.
A gestora pontuou que o governo de Abilio Brunini avalia alternativas para qualificar a infraestrutura local, mas advertiu que muitos informais abandonaram a travessa pactuada e retornaram a ocupar as calçadas de maneira desordenada:
'Eles precisam dar esse voto de confiança no sentido de cumprir o que a gente sempre estabeleceu: deixar as calçadas livres. E muitas vezes é o que a gente não vê eles cumprindo'.
Atrito com o comércio formal
A secretária ressaltou que a atuação da pasta busca evitar apreensões generalizadas de mercadorias para não atingir o sustento dos autônomos. Por outro lado, empresários com lojas regulares no quadrilátero histórico cobram fiscalização contínua, apontando disparidade de custos operacionais e tributários:
'Assim como os comerciantes formais ali também estão trabalhando e que muitas vezes reclamam dessa concorrência desleal. Porque uma cueca que custa R$ 10 no ambulante é R$ 40 na loja. Então a gente precisa ver esse lado também do comércio formal', pontuou.
Segundo a administração, as diretrizes de fiscalização urbana continuarão em debate com as categorias para definir um modelo de convivência que evite excessos punitivos e impeça a obstrução do espaço público.