Quadrilha desviava soja com notas fiscais falsas

Por Luizão

Operação Entreposto mira quadrilha especializada em roubo de cargas de soja em MT
Operação Entreposto mira quadrilha especializada em roubo de cargas de soja em MT

Operação Entreposto prendeu quatro pessoas suspeitas de roubar cargas de soja em rodovias e usar documentos falsos para legalizar os grãos.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta sexta-feira (7), a Operação Entreposto para cumprir 15 mandados judiciais, sendo quatro prisões, contra um grupo criminoso especializado em roubos de cargas de soja em rodovias do Estado. Foi identificado o desvio de aproximadamente 197 toneladas de soja.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e onze de busca e apreensão, com base em investigações da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis. As ordens judiciais foram decretadas pelo Núcleo de Justiça 4.0, Juiz de Garantias do Polo de Rondonópolis, e cumpridas nos municípios de Rondonópolis e Primavera do Leste.

Os suspeitos são investigados pelos crimes de roubo majorado e associação criminosa, envolvidos em pelo menos quatro roubos de cargas de soja registrados nos últimos meses na região sul do Estado.

Como agia o grupo

As investigações da Derf identificaram quatro pessoas envolvidas em reiterados roubos de caminhões e subtração de grãos, ocorridos nas rodovias BR-163 e BR-364, na região de Rondonópolis.

Segundo o relato das ocorrências, os suspeitos mantinham o mesmo modus operandi: abordavam os veículos carregados com soja, rendiam o motorista e o mantinham em cárcere privado enquanto retiravam a carga. Em seguida, os caminhões eram abandonados, já que o objetivo do grupo era exclusivamente a subtração dos grãos.

Motorista participava dos crimes

Durante as investigações, foi constatado que, em um dos roubos, o motorista já havia sido vítima de outros três crimes com as mesmas características. A recorrência chamou a atenção dos policiais, que constataram sua participação nas ações criminosas. Ele se fazia passar por vítima e, por isso, foi alvo de mandado de prisão preventiva.

O esquema das notas fiscais

Após roubar os caminhões, os suspeitos transferiam as cargas de grãos para outros veículos e seguiam pela rodovia com o apoio de carros menores, usados como batedores para monitorar fiscalizações da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Caso fossem abordados, os investigados conseguiam dar aparência de legalidade às cargas roubadas por meio de notas fiscais de transporte emitidas por uma empresa de armazenagem e transporte de grãos pertencente a um dos investigados. A documentação preenchia os requisitos necessários para 'esquentar' os grãos roubados, permitindo sua comercialização como se tivessem origem lícita.

O que foi apreendido

Além das quatro prisões preventivas, foram cumpridos mandados de busca e apreensão para localizar veículos usados nas ações criminosas, entre eles uma caminhonete Toyota Hilux e um Chevrolet Onix, além de celulares, documentos e outros equipamentos eletrônicos.

A função de cada suspeito

Cada integrante desempenhava uma função específica nas ações. Um dos suspeitos trabalhava como motorista e participava diretamente do roubo das cargas. O segundo era responsável pelo planejamento da logística e conduzia a carreta após o roubo. O terceiro é proprietário da empresa transportadora e levava os comparsas para praticar os roubos. O quarto integrante foi identificado como um dos assaltantes, responsável por portar a arma de fogo durante a ação.

Equipes envolvidas

Participaram do trabalho operacional policiais civis das Delegacias Especializadas de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis e de Primavera do Leste, além de equipes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, ambas de Rondonópolis.