Quem era Maria Eduarda, jovem de 21 anos que morreu após queda em salto de rope jump em SP
Por Luizão —

Natural de Jandira, a estudante de educação física publicou registros de entusiasmo horas antes do acidente na Ponte do Esqueleto. Três instrutores foram presos por homicídio com dolo eventual.
A trágica morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas , de 21 anos, gerou forte comoção e acendeu um alerta nacional sobre a segurança na prática de esportes radicais. A jovem faleceu na manhã deste sábado (13) após ser lançada em queda livre de uma altura de aproximadamente 40 metros na Ponte do Esqueleto, um viaduto ferroviário desativado há mais de 30 anos localizado na zona rural de Limeira, no interior de São Paulo. Horas antes do acidente, Maria Eduarda compartilhou em suas redes sociais fotos da preparação para a atividade, exibindo as pulseiras de acesso ao evento e o cenário do local com entusiasmo. Em uma de suas publicações, escreveu em tom descontraído: "Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???" . O clima de diversão deu lugar a uma fatalidade quando os instrutores responsáveis pela operação falharam no protocolo de checagem e esqueceram de conectar a corda principal de segurança ao corpo da jovem antes de impulsioná-la da plataforma. Formação no esporte, paixão pela natureza e despedida Natural e moradora de Jandira, município situado na Região Metropolitana de São Paulo, Maria Eduarda tinha sua trajetória de vida intimamente ligada à atividade física e ao bem-estar. Ela trabalhava em uma academia de ginástica de sua cidade natal e utilizava suas redes sociais para compartilhar uma rotina ativa, viagens, trilhas ao ar livre e seu forte vínculo com ambientes de natureza. Em seu perfil profissional e pessoal, a jovem destacava marcos de sua evolução acadêmica e planos para o futuro: Qualificação Técnica: Maria Eduarda possuía formação e cursava graduação na área de Educação Física . Foco Corporativo: A jovem também direcionava seus estudos e biografia para o segmento de Gestão Esportiva , almejando atuar na coordenação de projetos e eventos do setor. O corpo da jovem foi transladado de volta à sua cidade de origem para os atos fúnebres. O velório de Maria Eduarda foi realizado na manhã deste domingo (14) no Velório Municipal de Jandira, seguido pelo sepultamento sob forte clima de consternação de familiares e amigos no Cemitério Municipal da mesma cidade. Esquecimento de cabo, prisões em flagrante e embate político De acordo com os depoimentos de testemunhas colhidos pela Polícia Civil e pela Polícia Militar, o acidente ocorreu devido a uma negligência operacional gravíssima. Um dos participantes que aguardava na fila relatou que Maria Eduarda escolheu a modalidade de salto em que o cliente é arremessado fisicamente pelos condutores. No entanto, o cabo grosso de poliuretano que deveria ancorar a queda foi deixado enrolado no chão da estrutura. O desdobramento do caso gerou severas medidas criminais e administrativas: Prisões por Dolo Eventual: Três instrutores — incluindo um bombeiro civil de 47 anos e outros dois auxiliares de 32 e 27 anos ligados às empresas organizadoras Entre Cordas e Ih Voei — foram presos em flagrante. A autoridade policial converteu a autuação em crime de homicídio com dolo eventual , sob o entendimento de que os operadores assumiram o risco iminente de morte ao negligenciar a checagem básica. Dois deles tentaram fugir por uma área de mata e trocar de roupa antes de serem capturados. Disputa de Fiscalização: Diante do histórico de acidentes na Ponte do Esqueleto — que já registrou a morte de uma ciclista em 2024 e duas mulheres feridas em 2025 —, o prefeito de Limeira, Murilo Félix (Podemos), emitiu uma nota oficial de pesar e anunciou que o município processará judicialmente a União por omissão, alegando que a responsabilidade de fiscalizar e lacrar a estrutura federal desativada pertence exclusivamente a órgãos federais.