Rosa Neide admite falhas do PT em aproximação com eleitores
Por Luizão —

Presidente estadual do partido reconhece que legenda falhou na estratégia de engajamento e admite que 'dever de casa' não foi bem feito.
A presidente do PT em Mato Grosso, Rosa Neide, reconheceu que o partido 'falhou muito' na estratégia de aproximação com o eleitorado do Estado e admitiu que o 'dever de casa' da legenda não foi bem feito.
reconhecimento das falhas
'É um casamento, são várias situações. Eu confio sempre na sabedoria do eleitor. Quando ele vota contra, ele tem uma expectativa, se essa expectativa foi assumida em função de uma narrativa ainda não compreendida, acho que abre um espaço para gente discutir. Nós no partido também falhamos muito', disse em entrevista ao MidiaNews.
'Queremos reunir, ampliar o debate com a juventude, fazer o nosso dever de casa, que muitas vezes não ficou bem feito', afirmou.
perda de atuação direta
Rosa Neide afirmou que o partido perdeu parte da atuação direta com a população ao longo dos anos, especialmente quando seus integrantes passaram a ocupar espaços no governo. Segundo ela, a legenda deixou em segundo plano o trabalho de base, com reuniões, encontros e formação política junto aos trabalhadores.
'Então, não é a população que está errada. A gente reconhece nossos erros também, nossos erros de militância', disse.
resultados ruins em mt
A dificuldade mencionada por Rosa Neide aparece nos resultados das últimas eleições presidenciais em Mato Grosso. Em 2022, Lula terminou o segundo turno no Estado com 34,92% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro (PL) recebeu 65,08%. Foram 652.786 votos para o petista contra 1.216.730 para Bolsonaro.
problema com agronegócio
Rosa Neide também reconheceu que o PT precisa melhorar a relação com o agronegócio, setor que tem forte peso econômico e influência política em Mato Grosso. O segmento é hoje majoritariamente alinhado a políticos da direita e extrema direita.
Segundo ela, o PT não errou na política econômica voltada ao setor, mas poderia ter ampliado o diálogo e ouvido mais os produtores.
'O presidente Lula chamava muitos setores para conversar, principalmente com essa questão de taxação dos Estados Unidos, aproximou muito, mas ainda falta o diálogo, a conversa franca é o que mais ajuda a política a avançar', disse.