Samantha Iris critica vereadoras por resistência a Paula Calil e aponta contradição na pauta feminina

Por Luizão

Samantha Iris critica vereadoras por resistência a Paula Calil e aponta contradição na pauta feminina
Samantha Iris critica vereadoras por resistência a Paula Calil e aponta contradição na pauta feminina

Primeira-dama e vereadora manifestou decepção com a falta de união da bancada feminina em Cuiabá para aprovar a mudança regimental que permite a reeleição da atual presidente.

A disputa pelo comando da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou um novo componente de confrontação, dessa vez centralizado no debate sobre a representatividade e a união da bancada feminina. A vereadora e primeira-dama da capital, Samantha Iris (PL), subiu o tom para defender a alteração do Regimento Interno que viabiliza a reeleição da atual presidente da Casa, Paula Calil (PL), e expressou forte desapontamento com o posicionamento político das colegas parlamentares.

O desabafo de Samantha expõe a fratura ideológica e estratégica entre as mulheres no Legislativo cuiabano. Atualmente, das sete vereadoras com assento na Casa, apenas Samantha e Baixinha Giraldelli (Solidariedade) endossam publicamente o projeto de Paula Calil. As outras cinco parlamentares decidiram marchar em sentido oposto, integrando o bloco de sustentação à candidatura do vereador Ilde Taques (Podemos).

Contradição de discursos e defesa do modelo da ALMT

Para a primeira-dama, há uma clara incoerência entre a retórica pública adotada pelas parlamentares e a prática política de bastidores no momento de referendar uma liderança feminina no topo do poder municipal. “Eu vejo com tristeza o fato de que as mulheres não estão do lado dela nessa luta. Elas, que tanto dizem defender as mulheres, não estão conseguindo dar a oportunidade de ela concorrer, votando pelo menos na mudança do regimento para que ela tenha essa chance, já que ela é a única mulher que se propôs a ser presidente. É só basicamente eu e a Baixinha apoiando a mudança”, desabafou ao MidiaNews.

Samantha sustentou que a proposta de permitir a recondução da Mesa Diretora não é uma manobra heterodoxa, mas sim um alinhamento com a jurisprudência e a prática de outros parlamentos, citando explicitamente o modelo adotado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Na visão da vereadora, o trabalho de Paula é reconhecido consensualmente como técnico e democrático, o que tornaria a resistência à sua postulação injustificável: "Por muito tempo, eu fui a única mulher que apoiou a reeleição da Paula. Todo mundo fala que ela faz um bom trabalho, que é uma excelente presidente, mas, na hora de apoiar de fato, a gente vê essa resistência, principalmente das mulheres", completou.

A barreira dos dois terços e a sombra da judicialização

A engenharia matemática para a permanência de Paula Calil no cargo esbarra na rigidez do texto normativo atual da Câmara. Para que ela possa registrar sua candidatura ao novo biênio, a Casa precisa aprovar uma emenda ao Regimento Interno. Sob as regras vigentes, essa alteração exige o quórum qualificado de 18 votos favoráveis (dois terços da composição de 27 cadeiras do parlamento).

O cenário político desenha-se da seguinte forma: