Santos aciona STJD e pede anulação de jogo contra Coritiba por 'Erro de Direito' em substituição equivocada de Neymar
Por Luizão —

O departamento jurídico do Peixe entrou com uma ação no tribunal após o camisa 10 ser retirado de campo por engano na derrota por 3 a 0. Clube alega violação das regras da FIFA pela equipe de arbitragem.
O futebol brasileiro vive mais um capítulo de intensa polêmica nos tribunais desportivos. O departamento jurídico do Santos Futebol Clube protocolou formalmente uma ação junto ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) solicitando a anulação da partida contra o Coritiba, disputada no último domingo (17) na Neo Química Arena, válida pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Peixe, que saiu de campo derrotado por 3 a 0, baseia sua peça jurídica na ocorrência de um suposto 'erro de direito' cometido pela equipe de arbitragem, que retirou o astro Neymar Jr. de campo por engano e o impediu de retornar à partida. A controvérsia estancou o andamento do jogo aos 19 minutos do segundo tempo. O camisa 10 santista estava temporariamente fora das quatro linhas recebendo atendimento médico na panturrilha quando o quarto árbitro, Bruno Mota Ribeiro, ergueu a placa eletrônica indicando a saída do craque para a entrada de Robinho Júnior. O Santos sustenta que a alteração programada pela comissão técnica previa a saída do lateral argentino Gonzalo Escobar. Revoltado com o equívoco da mesa de controle, Neymar tentou reingressar no gramado à força, sendo contido e advertido com o cartão amarelo pelo árbitro principal, Paulo Cesar Zanovelli. Na sequência, o jogador exibiu às câmeras a papeleta de substituição original, que supostamente ratificava a numeração de Escobar para deixar o jogo. Guerra de versões na súmula e erro de protocolo O imbróglio ganhou contornos burocráticos complexos na redação dos documentos oficiais do confronto. Na súmula da partida, o árbitro Paulo Cesar Zanovelli justificou o procedimento alegando que o auxiliar técnico do Santos, César Sampaio, teria confirmado verbalmente a saída de Neymar no calor do momento. Por outro lado, Sampaio rebateu de forma veemente o relato da arbitragem e detalhou a falha de comunicação nos bastidores: "Eu chamei o quarto árbitro para substituição do Juninho pelo Escobar, o 7 pelo 31. Neste momento, o Neymar sai de campo acusando um pouco de dor na panturrilha. Conversei com ele e pedi para o quarto árbitro aguardar para ver se o Neymar poderia voltar ou não. O quarto árbitro se precipitou, computou a troca com o papel correto na mão e falou que o Neymar não podia voltar mais. Foi uma tomada de decisão antecipada", esclareceu o auxiliar santista. A defesa institucional do Alvinegro Praiano apoia-se no entendimento de que, uma vez que a papeleta preenchida e entregue ao delegado do jogo, Guilherme Zangari, continha formalmente o nome de Escobar, a equipe de arbitragem violou as diretrizes internacionais da International Board e da FIFA ao chancelar uma substituição verbal não solicitada, alterando de forma substancial o equilíbrio técnico da equipe em campo. Nota oficial do Santos e os próximos passos Em comunicado oficial divulgado à imprensa e aos torcedores, a diretoria executiva do Santos reforçou que a iniciativa jurídica visa resguardar o cumprimento estrito do regulamento da competição nacional, distanciando o pleito de qualquer discussão sobre o desempenho técnico do time durante os 90 minutos. Foco na Regra: "O Clube entende que houve erro de direito quando a arbitragem impediu a permanência em campo do atleta Neymar Jr., o que contrariou determinação da própria comissão técnica e desrespeitou o protocolo oficial de substituições" , destacou o Peixe em nota. Prerrogativa da FIFA: O Santos enfatizou que a ação no STJD não contesta a performance esportiva ou o resultado elástico construído pelo Coritiba, mas sim a defesa intransigente das regras universais que regem o esporte. O caso agora aguarda a distribuição para um relator no pleno do STJD, que avaliará a admissibilidade do pedido. Se o tribunal acatar a tese de 'erro de direito' — situação em que a arbitragem aplica a regra do jogo de forma equivocada, diferenciando-se do erro de fato (interpretação de lances de campo) —, o julgamento poderá culminar na inédita cassação dos pontos e na determinação de uma nova partida entre as equipes.