Servidores públicos protestam em Cuiabá e exigem pagamento de 18,38% de perdas acumuladas da RGA
Por Luizão —

Ato em frente à Praça do TRT-MT reuniu cerca de 3,5 mil manifestantes. Categorias criticam o índice de 5,4% concedido pelo Estado e cobram a convocação de concursados e o fim da escala 6x1.
Servidores públicos do Estado de Mato Grosso realizaram uma mobilização na tarde desta segunda-feira (25) com o objetivo de pressionar o Poder Executivo a abrir um canal de negociação para o pagamento de 18,38% relativos a débitos acumulados da Revisão Geral Anual (RGA) . A concentração do funcionalismo ocorreu em frente à Praça do TRT-MT (23ª Região), localizada no Centro Político Administrativo, em Cuiabá. O ato público reuniu aproximadamente 3.500 participantes, congregando servidores públicos, filiados a sindicatos e associações representativas de diferentes carreiras. Além da recomposição salarial da RGA, a manifestação incorporou outras frentes de cobrança, como o chamamento imediato de profissionais aprovados em concursos públicos e a adesão ao debate de âmbito nacional que propõe a extinção da escala de trabalho 6×1. Déficit de efetivos e cobrança por convocação de concursados Representantes sindicais das áreas de educação, saúde e outros setores do funcionalismo intensificaram as cobranças para que o governo estadual promova o provimento de cargos por meio do chamamento dos aprovados em certames vigentes: Contratos Temporários na Educação: De acordo com dados apresentados pelo Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), o volume de profissionais contratados de forma temporária na rede estadual de ensino supera o número de servidores efetivos em uma proporção superior a 50%. Defasagem na Saúde Pública: Servidores do setor e integrantes da Associação dos Aprovados no Concurso da Saúde de MT (AACS-MT) marcaram presença no ato para exigir a recomposição urgente do quadro de servidores da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). Durante os discursos nas frentes de mobilização, os manifestantes teceram duras críticas ao modelo de RGA aplicado pelo governo estadual, sustentando que os índices concedidos falham em mitigar a desvalorização e as perdas salariais crônicas observadas desde o período da pandemia. Histórico da recomposição e busca por diálogo com Pivetta A discussão em torno do reajuste do funcionalismo se arrasta desde o ciclo legislativo anterior. Na mensagem original enviada pelo Poder Executivo à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) no ano de 2025, a proposta inicial fixava a RGA em 4,26%, acompanhando o teto da inflação oficial do país medida pelo IPCA/IBGE em 2024. Após enfrentar forte resistência e contestação das categorias, a gestão estadual elevou a proposta para 5,4%. O percentual acabou aprovado pelos deputados estaduais em janeiro deste ano, sendo posteriormente sancionado e incorporado de forma definitiva à folha de pagamento dos servidores. No entanto, lideranças sindicais argumentam que o índice é insuficiente para estancar o endividamento e a perda do poder de compra acumulada ao longo dos últimos sete anos. Estudos técnicos conduzidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) corroboram a tese do funcionalismo, apontando que o salário real dos servidores públicos estaduais sofreu uma redução real de cerca de 20%. Com as recentes mudanças no tabuleiro político do estado, marcadas pela assunção de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao comando do Palácio Paiaguás, as entidades de classe buscam restabelecer as rodadas de negociação para reaver os passivos salariais reivindicados.