Sindicato acusa padres do São Gonçalo de assédio moral
Por Luizão —

Sintrae-MT publicou carta acusando diretor e vice-diretor do colégio salesiano de perseguição a professores; instituição nega as denúncias.
O Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Estado de Mato Grosso (Sintrae-MT) publicou uma carta aberta acusando o padre Marcelo Fujimura, diretor do Colégio Salesiano São Gonçalo, de autoritarismo, intolerância, hostilidade e perseguição a profissionais da educação. O vice-diretor, padre Danilo, e a coordenadora pedagógica Michela Falcão também foram citados na denúncia.
Segundo o sindicato, o assédio moral é 'reiterado e progressivo' e tem causado abalos emocionais e adoecimento de professores e outros trabalhadores da instituição.
O que diz a carta
Na carta, o Sintrae-MT afirma que os poucos meses de gestão do padre 'têm sido marcados pela desconstrução do ambiente escolar saudável' e que sua atuação 'tem se pautado pela insegurança, autoritarismo desmedido, intolerância, hostilidade e perseguição aos profissionais da educação'.
O documento lista sete condutas apontadas como problemáticas: grosseria no trato com professores e administrativos, incluindo uma fala atribuída ao padre de que 'simpatia é a única dádiva que Deus não lhe confiou'; intolerância religiosa e desrespeito à diversidade; cobranças abusivas fora da jornada de trabalho; invasão de salas de aula pelo vice-diretor e pela coordenadora sem aviso prévio; relatórios subjetivos com avaliações negativas do trabalho docente; abordagens a alunos para obter avaliações pejorativas de professores; e coação a professores na presença de estudantes.
'Esse assédio moral, permanente, reiterado e progressivo, praticado por Vossa Senhoria e os citados dois integrantes de sua equipe, tem provocado constantes e crescentes abalos emocionais e adoecimento dos professores e dos administrativos', diz trecho da carta.
O sindicato cita ainda os artigos 205 e 206 da Constituição Federal, que tratam dos objetivos da educação e da liberdade de ensinar, para questionar a gestão do colégio, que completa 132 anos de história em Cuiabá.
Resposta do colégio
Em nota, a direção do Colégio São Gonçalo afirmou respeitar a liberdade de manifestação sindical, mas negou que sua gestão seja orientada por práticas de assédio moral, autoritarismo ou perseguição.
Segundo a instituição, o acompanhamento pedagógico das atividades de ensino é feito 'de forma técnica, planejada e documentada', no exercício do dever legal e regimental, sem caráter disciplinar ou de constrangimento pessoal aos educadores. O colégio afirmou ainda se comprometer com a apuração de qualquer fato concreto que lhe seja formalmente relatado, com garantia de sigilo e vedação a represálias.