Sinfra justifica alta de R$50m no custo do BRT

Por Luizão

O secretário Marcelo de Oliveira durante audiência pública sobre o BRT
O secretário Marcelo de Oliveira durante audiência pública sobre o BRT

Secretário Marcelo de Oliveira diz que mudanças no projeto elevaram valor de R$ 68 milhões para R$ 120 milhões. Deputado questiona justificativa.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, afirmou que o aumento de cerca de R$ 50 milhões no custo das estações e paradas do Sistema BRT, entre Cuiabá e Várzea Grande, foi necessário para tornar os espaços mais confortáveis aos usuários diante das altas temperaturas da capital.

O primeiro edital para a construção das 77 estações e paradas, lançado por dispensa de licitação em setembro de 2025, previa investimento de R$ 68 milhões. O segundo edital, assinado em dezembro do mesmo ano com a empresa Lotufo Engenharia e Construções, elevou o valor para R$ 120 milhões.

Declarações na audiência pública

Marcelo fez as declarações na segunda-feira (13), antes de deixar a audiência pública convocada pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT), na Assembleia Legislativa, para discutir os atrasos e os custos da implantação do BRT. Ao deixar o evento, o secretário disse estar 'muito nervoso' e que permanecer na audiência poderia fazê-lo 'infartar'.

'Eu já falei uma vez, mas vou falar novamente: deixar a população dentro de um contêiner não é justo. A população vai ficar em um espaço confortável, que serão as estações do BRT', afirmou Marcelo de Oliveira.

Segundo o secretário, o novo projeto prevê piso adequado, vidros com menor absorção de luz e calor, sistema de climatização com ar-condicionado e forro. 'Teve forro, teve várias coisas que foram colocadas para melhorar a qualidade', disse. Ele afirmou ainda que as alterações foram necessárias porque a empresa responsável pelo projeto anterior 'não apresentou as expertises necessárias', levando o governo a exigir mudanças.

Deputado questiona justificativa

O aumento no valor das estações levou Lúdio Cabral a protocolar uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), pedindo a apuração do caso.

Segundo o deputado, as explicações dadas na audiência pelo secretário adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano, Isaac Nascimento Filho, que permaneceu na reunião após a saída de Marcelo, não justificam o acréscimo de R$ 50 milhões. 'Você dizer que melhorou o sistema de ar-condicionado, que aumentou a espessura do vidro, que construiu novas portas de acesso, isso não justifica um aumento de R$ 50 milhões', afirmou Lúdio Cabral.

O deputado citou dados da própria Secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso (Sinfra-MT) para questionar o valor. 'A própria Sinfra diz que 90% da obra é estrutura metálica, que esse é o principal custo da construção das estações', disse.

Histórico da obra

As obras do corredor de transporte entre Cuiabá e Várzea Grande começaram em 2012, quando o projeto previa a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para atender à demanda de mobilidade urbana da Copa do Mundo de 2014, da qual Cuiabá foi uma das cidades-sede.

O empreendimento nunca foi concluído. Ao longo dos anos, acumulou atrasos, aditivos contratuais e foi alvo de investigações sobre suspeitas de corrupção e superfaturamento. Em 2020, o Governo do Estado substituiu o projeto do VLT pelo Sistema BRT.