Sinfra-MT prevê entrega de complexo viário no Leblon para agosto e diz que BRT superou 'tragédia' do VLT
Por Luizão —

Secretário Marcelo de Oliveira rebateu críticas sobre transtornos no trânsito de Cuiabá, destacou a recuperação total das avenidas do CPA e da FEB e projetou operação do modal até o fim do ano.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso, Marcelo de Oliveira (conhecido nos bastidores técnicos como Marcelo Padeiro), fixou um prazo definitivo para o encerramento de um dos principais gargalos de mobilidade urbana na capital. Em pronunciamento oficial, o titular da Sinfra-MT assegurou que o Governo do Estado trabalha com o cronograma de entregar totalmente concluído o complexo viário do Bairro Jardim Leblon até o dia 30 de agosto . A megaobra governamental recebe um aporte financeiro superior a R$ 105 milhões dos cofres públicos e engloba uma série de intervenções complexas de engenharia civil: a escavação e estruturação de uma nova trincheira na região, a abertura de um túnel subterrâneo na Avenida Miguel Sutil e a duplicação física da Rua Boa Vista. "Esse é o nosso cronograma, pensamento, a nossa vontade, e é a nossa determinação. No final do mês de agosto nós queremos estar com a obra concluída" , garantiu o secretário, ponderando que, embora grandes intervenções de engenharia pesada estejam sujeitas a imprevistos de solo e clima, os operários estão atuando em regime de concentração de esforços. Causas do nó no trânsito e avanço nos corredores do BRT Ao responder aos questionamentos e reclamações dos motoristas da Baixada Cuiabana acerca dos severos congestionamentos nas vias centrais, Marcelo de Oliveira explicou que o impacto severo no fluxo viário decorreu de uma escolha técnica inevitável: a execução simultânea de múltiplos projetos estruturantes essenciais. O cronograma concentrou ao mesmo tempo a implantação do corredor do BRT (ônibus de trânsito rápido) em toda a extensão da Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA), intervenções na Tenente Coronel Duarte (Prainha), escavações na Avenida Miguel Sutil e obras de macrodrenagem pluvial conduzidas na Avenida Generoso Ponce. Apesar do desgaste no comércio e na rotina dos munícipes, o secretário comemorou a reta final da pavimentação do BRT, programada para este mês de julho, mantendo a previsão de que o novo modal de transporte coletivo metropolitano entre em operação comercial até o fim deste ano. Cicatriz do VLT sepultada na FEB e estações de alto padrão O chefe da Sinfra-MT aproveitou para traçar uma linha divisória entre a eficiência da atual gestão e o histórico de abandono do antigo projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), cuja paralisia decorrente de escândalos de corrupção penalizou a população por mais de uma década: A Ferida da FEB: "As pessoas se esquecem de quantos anos aquela ferida ficou aberta dentro da cidade de Várzea Grande, causando acidentes, mortes e tudo. Aquilo ali foi uma tragédia para a cidade de Várzea Grande. Várias empresas, inclusive, quebraram. E hoje você passa por aquela avenida (FEB), ela está totalmente arrumada e recuperada" , desabafou o gestor; Padrão Construtivo: Oliveira destacou o avanço estético e funcional das novas paradas de ônibus em Cuiabá. “Se você pegar uma imagem de drone desde o Comando Geral da PM até o Aeroporto Marechal Rondon, você vê um espaço totalmente recuperado. As estações já sendo erguidas... E você vê o tipo da estação que está sendo construída, bem diferente de alguns contêineres que existem por aí” , alfinetou. Com a proximidade da conclusão física das pistas exclusivas e das estações de embarque e desembarque no nível do solo, a Sinfra-MT planeja intensificar as rodadas de negociação técnica com as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande para unificar e otimizar as linhas alimentadoras e o sistema de bilhetagem do transporte coletivo intermunicipal. 🔎 O que diferencia os modais de transporte público BRT e VLT em termos de engenharia e custo? No planejamento de transporte e mobilidade urbana, o BRT (Bus Rapid Transit) e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) são sistemas de alta capacidade projetados para operar em corredores segregados e exclusivos, mas que divergem drasticamente em sua infraestrutura, custo e tempo de implantação. O BRT utiliza ônibus articulados ou biarticulados elétricos ou de combustão limpa rodando sobre pistas de asfalto ou concreto reforçado. Suas principais vantagens são o custo de implantação consideravelmente menor (cerca de 4 a 10 vezes mais barato por quilômetro se comparado ao trilho), flexibilidade de rotas e rapidez na construção. Já o VLT assemelha-se a um bonde moderno que se desloca sobre trilhos de ferro embutidos no pavimento, movido a eletricidade via catenárias aéreas ou alimentação pelo solo. Embora o VLT apresente uma vida útil mais longa para os veículos, emissão zero de poluentes no local e maior conforto de rolamento, ele exige obras civis invasivas e profundas para o assentamento de trilhos, remanejamento complexo de redes subterrâneas e um investimento financeiro bilionário que pode inviabilizar o orçamento de estados e municípios em caso de interrupção contratual.