STF adia decisão sobre Moraes após pedido de vista

Por Luizão —

Ministros do STF durante julgamento sobre Alexandre de Moraes
Ministros do STF durante julgamento sobre Alexandre de Moraes

Supremo Tribunal Federal suspendeu julgamento sobre investigação contra Alexandre de Moraes após pedido de vista de Flávio Dino. Sessão foi marcada por embates.

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta terça-feira (15) uma sessão histórica, mas sem conclusão. Pela primeira vez o plenário discutiu a possibilidade de abrir investigação contra um de seus próprios integrantes. Um pedido de vista do ministro Flávio Dino interrompeu o julgamento antes mesmo de o STF entrar no mérito.

placar parcial favorece análise separada

Até o momento, prevalece a posição de 4 a 3 pela análise separada das condutas de Alexandre de Moraes, em relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução da relatoria do caso Master.

O pedido de vista de Dino pode levar até 90 dias. Sem uma definição sobre a análise conjunta dos casos, prevalece por enquanto a decisão do presidente Edson Fachin de julgá-los separadamente.

bate-bocas e tensão no plenário

A sessão foi marcada por embates intensos entre os ministros. Moraes e Mendonça trocaram provocações sobre a atuação da Polícia Federal. 'Quem tem medo da PF?', questionou Moraes. 'Não é questão de medo, não', rebateu Mendonça.

Gilmar Mendes criticou a condução do caso por Mendonça, afirmando haver 'inequívoco viés eleitoral'. A discussão se intensificou com provocações mútuas e trocas de acusações.

impedimento e suspeição

Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de votar, alegando que o julgamento poderia impactar o processo eleitoral de 2026, quando ocupa a presidência do Tribunal Superior Eleitoral.

O ministro Dias Toffoli declarou suspeição por motivos de foro íntimo, mas optou por permanecer no plenário durante os debates.

discurso de fachin em defesa da corte

Ao abrir a sessão, Fachin fez apelo à preservação do STF e pediu que os ministros evitassem ataques pessoais. 'Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas', declarou. 'Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos', completou.

carmen lucia expressa tristeza

A ministra Cármen Lúcia afirmou estar em estado de 'profunda consternação e tristeza' e pediu desculpas aos brasileiros. Reconheceu que as questões não foram resolvidas e se agravaram durante a sessão.