Tarifaço dos EUA entra em vigor nesta quarta-feira
Por Luizão —

Sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros começou a valer às 1h01, mas governo Trump isentou mais de 2,1 mil itens da nova tarifa.
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22/7), à 1h01 (horário de Brasília). A medida, chancelada pelo presidente Donald Trump, estabelece sobretaxa de 25% sobre parte das importações do Brasil e havia sido oficializada pelo governo americano na quarta-feira anterior (16/7).
A sobretaxa pode causar prejuízo de até US$ 11 bilhões às exportações brasileiras.
Origem da decisão
A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que encerrou investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas ligadas ao Pix.
Regra de transição
A sobretaxa será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir desta quarta. Há, porém, uma regra de transição: produtos embarcados antes dessa data podem entrar no mercado americano sem a cobrança adicional, desde que cheguem ao país até 29 de julho.
A tarifa de 25% será cobrada além das alíquotas de importação já existentes. Na prática, um produto que hoje paga 5% de imposto passa a recolher 30% para entrar nos EUA.
Produtos isentos
O governo Trump deixou fora da sobretaxa mais de 2,1 mil produtos, entre eles alguns dos principais itens da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo e aeronaves civis.
- Carne bovina em cortes frescos, refrigerados, congelados e processados
- Café em grão, torrado e solúvel
- Laranja e suco de laranja, congelado ou não
- Frutas como açaí, banana, abacaxi, goiaba, manga e melão
- Mel orgânico, peixes e crustáceos
- Petróleo bruto e derivados
- Ferro-gusa e sucata de aço
- Hidróxido de alumínio, minério de ferro, nióbio, grafite, caulim e gás natural
- Aviões, helicópteros, drones, motores e peças para aeronaves
- Computadores, notebooks, celulares, monitores e semicondutores
- Vacinas, insulina, antibióticos, plasma e insumos farmacêuticos
- Fertilizantes, ureia e sulfato de amônio
Produtos taxados
- Etanol de cana-de-açúcar e outros biocombustíveis
- Celulose branqueada, exceto categorias isentas
- Aço e alumínio semiacabados
- Máquinas agrícolas e equipamentos de mineração
- Transformadores elétricos de grande porte
- Calçados, móveis de madeira, pisos e rochas ornamentais
- Vestuário e tecidos
Brasil avalia reação
Em abril de 2025, o Congresso Nacional aprovou por unanimidade a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em julho. A norma autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas quando outros países impõem barreiras comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil.
Após o anúncio do tarifaço, o governo passou a estudar a possibilidade de usar a lei, mas nesta semana o Planalto deu indicativos de que não deve aderir a uma retaliação. Na terça-feira (21/7), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) comentou o tema após encontro com setores exportadores.
'Foi aprovada a Lei da Reciprocidade por unanimidade. A ideia não é retaliação. Olho por olho, pode acontecer de os dois ficarem cegos', disse Alckmin.
Impacto estimado
O governo federal calcula que o tarifaço atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio França, o volume afetado equivale a aproximadamente US$ 7,4 bilhões, considerando os números de 2024. Para reduzir os impactos, Alckmin afirmou que o governo prepara um programa de apoio aos setores mais atingidos.