Trio acusado de matar Zampieri vai a novo Júri Popular

Por Luizão —

Réus pelo assassinato de Roberto Zampieri enfrentam o Tribunal do Júri em Cuiabá.
Réus pelo assassinato de Roberto Zampieri enfrentam o Tribunal do Júri em Cuiabá.

Após anulação em julho por problema de saúde de jurado, réus apontados como mandante, intermediador e executor do advogado são julgados em Cuiabá.

O Tribunal do Júri de Cuiabá retoma nesta terça-feira o julgamento de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e do coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. O trio responde como réu pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, em frente ao seu escritório no bairro Bosque da Saúde, na capital mato-grossense.

Dissolução anterior e nova composição

O julgamento havia sido aberto originalmente no final de julho sob a presidência do juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal da Capital, mas o Conselho de Sentença acabou dissolvido de forma compulsória após um dos jurados sofrer problemas de saúde durante a noite, impondo o reinício do rito com novo corpo de julgadores.

A acusação será conduzida em plenário pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva, do Ministério Público do Estado (MPE). O cronograma de audiências prevê novos depoimentos de testemunhas-chave, como o delegado da DHPP Nilson Farias, investigadores policiais e analistas de inteligência que periciaram a cena do crime e reconstruíram o trajeto dos suspeitos.

Funções no crime e qualificadoras

Conforme a denúncia ministerial, o trio desempenhou tarefas coordenadas no plano criminoso:

Os três respondem por homicídio com as qualificadoras de promessa de recompensa financeira, recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de arma de fogo de uso restrito e concurso de agentes.

Dinâmica do assassinato e desdobramentos

Na noite do fato, Roberto Zampieri deixava seu expediente de trabalho quando entrou em seu veículo, uma picape Fiat Strada, e foi atingido por cerca de dez disparos à queima-roupa. Câmeras de segurança do entorno flagraram o atirador agindo de rosto descoberto, com a arma encoberta por uma caixa para dissimular os tiros, fugindo a pé em seguida.

A perícia realizada nos telefones apreendidos da vítima após o homicídio foi o ponto de partida que revelou, posteriormente, um esquema bilionário de venda de decisões no Judiciário estadual, levando à deflagração da Operação Sisamnes e ao afastamento de magistrados no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).