Trio é condenado a 68 anos de prisão pela morte de Zampieri

Por Luizão —

Trio réu pela execução de Roberto Zampieri é condenado pelo Tribunal do Júri.
Trio réu pela execução de Roberto Zampieri é condenado pelo Tribunal do Júri.

Após três dias de julgamento em Cuiabá, Conselho de Sentença acolheu tese do MPE e condenou executor, intermediário e financiador do assassinato do advogado.

Após três dias de julgamento no Tribunal do Júri de Cuiabá, os réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foram condenados, na madrugada desta sexta-feira, 2 de outubro, pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri. Somadas, as penas dos três acusados chegam a 68 anos, 8 meses e 30 dias de reclusão em regime fechado.

Penas individuais e qualificadoras

O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese da acusação apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE), reconhecendo a participação coordenada do grupo na emboscada executada em 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde. As sentenças foram fixadas da seguinte forma:

Os jurados confirmaram as qualificadoras de homicídio mediante promessa de recompensa financeira (pagamento de R$ 40 mil), recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito. Cabe recurso contra a sentença em instâncias superiores.

Debates, depoimentos e teses de defesa

O júri foi presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge e contou com oitivas de investigadores da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegados da Polícia Federal e testemunhas presenciais. Durante o depoimento, Antônio admitiu ter efetuado os disparos contra Zampieri e afirmou em plenário que também teria executado magistrados caso tivesse recebido a ordem.

A defesa de Antônio tentou suscitar incidente de insanidade mental e alegou revolta contra escândalos de corrupção, mas os pedidos foram rechaçados pelo magistrado ante a higidez mental e lucidez demonstradas pelo réu. Por sua vez, Hedilerson sustentou ter sido traído por Antônio e negou o empréstimo consciente da pistola, enquanto a defesa do coronel Caçadini alegou que o militar estava sendo feito de bode expiatório e refutou elo financeiro com a emboscada.

O crime e o rastilho da Sisamnes

Roberto Zampieri foi morto aos 56 anos ao sair de seu escritório profissional e ingressar em sua picape Fiat Strada, sendo atingido por cerca de dez tiros à queima-roupa disparados através do vidro do passageiro. O criminoso utilizou uma caixa de papelão para abafar o ruído das detonações e fugiu a pé.

Embora a morte violenta em si não tivesse vínculo direto com o mercado de decisões judiciais, a apreensão e perícia telemática do aparelho telefônico do jurista revelaram diálogos com lobistas e operadores que desencadearam a Operação Sisamnes da Polícia Federal, culminando no afastamento de desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ).