Urna eletrônica completa 30 anos; TRE-MT explica
Por Luizão —

Secretário de Tecnologia do tribunal detalha auditorias, código-fonte aberto e ausência de conexão com internet no equipamento.
As urnas eletrônicas completam 30 anos de utilização no Brasil e se consolidaram como um dos principais símbolos de agilidade no processo eleitoral, sobretudo na apuração dos votos. Em Mato Grosso, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) reforça que a segurança do sistema não depende apenas da tecnologia empregada nos equipamentos, mas de uma série de mecanismos de fiscalização e auditoria que envolvem diferentes instituições.
Mecanismos de segurança
O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-MT, Leon Manoel Campos dos Santos Filho, explica que o processo eleitoral possui mecanismos capazes de identificar eventuais irregularidades e permitir sua correção. Segundo ele, a urna conta com recursos como criptografia e chaves digitais, mas a proteção se estende a todas as etapas da eleição.
'Todo o processo contém mecanismos para que qualquer irregularidade, qualquer problema que aconteça, você consiga detectar, verificar e já corrigir automaticamente', afirma.
Leon destacou que a segurança começa antes mesmo da preparação das urnas e envolve auditorias, testes e a participação de instituições externas à Justiça Eleitoral, como Exército, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Polícia Federal, universidades e pesquisadores. Os partidos políticos também podem acompanhar o processo, inclusive a verificação do código-fonte das urnas.
Código-fonte auditável
Um dos principais mecanismos de transparência apontados pelo secretário é a abertura do código-fonte dos sistemas utilizados nas urnas. A auditoria permite que instituições, especialistas e pesquisadores verifiquem se o sistema executa exatamente as funções previstas e se existe algum mecanismo que possa ser utilizado de forma indevida.
'Eles vão lá verificar se aquele código-fonte está fazendo exatamente o que está dizendo que é para fazer, se tem algum mecanismo ali que pode ser utilizado de forma indevida', explicou. Para Leon, essa fiscalização desmonta a ideia de que o eleitor precisa simplesmente confiar na urna. 'O sistema é auditável, completamente auditável', ressaltou.
O secretário também citou a auditoria da votação eletrônica, realizada durante o processo eleitoral, como outro mecanismo para colocar as urnas à prova e verificar os resultados produzidos pelos equipamentos.
Combate à desinformação
Ao comentar alegações que colocam em dúvida a segurança das eleições, Leon afirmou que prefere não tratar determinadas afirmações como simplesmente fake news. 'Às vezes a gente fala fake news, as pessoas falam eu só estou fazendo uma fake news, parece uma coisa leve, mas não é. É uma mentira mesmo, é uma mentira programada para que as pessoas desacreditem do sistema', desabafou.
Na avaliação dele, a desinformação também desconsidera que o processo eleitoral não está concentrado exclusivamente na urna. 'Você tem uma quantidade enorme de técnicos, não somente da Justiça Eleitoral, mas de outros órgãos que ajudam a fazer, a garantir que esse processo todo seja transparente e seguro', afirmou.
Distribuição das urnas em MT
Em Mato Grosso, o TRE-MT já iniciou o processo de envio das urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições deste ano. Os equipamentos ficam centralizados em Cuiabá e são posteriormente encaminhados aos cartórios eleitorais do interior.
A preparação definitiva ocorre na segunda metade de setembro, quando são inseridos nos equipamentos os dados dos eleitores e dos candidatos, na chamada cerimônia de carga e lacre. É quando a urna recebe os dados necessários para a votação e, posteriormente, um lacre físico destinado a impedir a violação do equipamento.
Cada urna também recebe uma identificação específica para aquela eleição, o que impede que um equipamento não preparado pela Justiça Eleitoral seja utilizado para enviar dados para a totalização. 'Se eventualmente alguém tentar substituir por uma urna clonada, aquela informação do clone não consegue ser processada', explicou.
Sem conexão com a internet
Outro ponto destacado pelo secretário é que a urna eletrônica não possui conexão com a internet durante a votação. Por isso, segundo ele, não existe a possibilidade de um hacker acessar remotamente o equipamento durante o processo. 'A urna eletrônica é totalmente desconectada. Ela não tem nenhum tipo de ligação com a internet', afirmou. Leon também classificou como mito a possibilidade de uma invasão externa alterar o voto digitado pelo eleitor para outro candidato.