Vereador Daniel Monteiro nega ida para a Seduc e classifica rumores como 'boato de corredor'

Por Luizão

Vereador Daniel Monteiro nega ida para a Seduc e classifica rumores como 'boato de corredor'
Vereador Daniel Monteiro nega ida para a Seduc e classifica rumores como 'boato de corredor'

Parlamentar do Republicanos rechaçou especulações de que assumiria cargo de secretário-adjunto no Estado. Rumores cresceram após projeto na Câmara de Cuiabá flexibilizar licenças para vereadores.

O vereador Daniel Monteiro (Republicanos) negou categoricamente ter aceitado um convite do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para assumir o cargo de secretário-adjunto na Secretaria de Estado de Educação (Seduc) . A especulação sobre a dança das cadeiras ganhou musculatura nos bastidores políticos após a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá, sob a presidência da vereadora Paula Calil (PL), apresentar um projeto de lei que flexibiliza o regime de licenciamento dos parlamentares. A proposta legislativa visa permitir que os vereadores assumam postos de secretários ou secretários-adjuntos, tanto no âmbito municipal quanto estadual, sem o risco de perderem o mandato eletivo. Ao ser interpelado sobre seu futuro político e a possibilidade de migrar para o Executivo estadual, Monteiro foi enfático ao classificar os comentários como “boatos de corredor”. “Não existia absolutamente nada de concreto. Se existisse, da minha boca já teria saído algo, ou da boca do governador Otaviano Pivetta", asseverou o parlamentar. Apesar de rechaçar a ida imediata para a pasta, o vereador ponderou que mantém uma relação de estreita proximidade com o governo, sublinhando que diálogos institucionais são frequentes por integrar a mesma legenda do governador. Ele relembrou ainda sua passagem anterior pela administração do Estado, período no qual atuou no desenvolvimento do regime de colaboração com as prefeituras, destacando que segue prestando contribuições intelectuais ao projeto. Histórico de 'desapego' e recusa de secretaria bilionária Para respaldar sua posição de independência e refutar o rótulo de que estaria articulando por cargos na estrutura pública, Daniel Monteiro relembrou um episódio ocorrido no ano anterior, quando declinou publicamente de assumir o comando da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá — pasta que detém um dos maiores orçamentos da capital. “Acho que foi a primeira vez na história que um parlamentar recusou uma secretaria do tamanho da Educação. Isso evidencia o meu desapego", pontuou. Essa recusa histórica ganha novos contornos analíticos em meio ao cenário de crise profunda que atinge a gestão educacional do município de Cuiabá. Atualmente, o prefeito Abilio Brunini (PL) e o ex-secretário da pasta, Amauri Monge, travam um severo embate público permeado por denúncias cruzadas de corrupção e pedaladas fiscais. O foco das investigações, conduzidas sob a batuta do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), recai sobre: Pagamentos Suspeitos: A auditoria contábil esmiúça o pagamento já efetuado de R$ 21 milhões por lotes de livros didáticos. Volume de Contratos: O teto global dos processos de aquisição de material sob suspeita pode alcançar a cifra de R$ 80 milhões. Uso de IA: Os órgãos de controle avaliam indícios de que as apostilas adquiridas possuam baixa qualidade pedagógica e tenham sido geradas de forma automatizada por ferramentas de Inteligência Artificial (IA). Vereador evita hipóteses sobre escândalo na Educação de MT Os desdobramentos da auditoria do TCE-MT acabaram respingando também em estruturas do governo estadual, uma vez que Amauri Monge exerceu a função de secretário-adjunto na Seduc antes de migrar para o comando da Educação municipal. Diante da complexidade do caso e questionado se temia estar no centro do escândalo caso tivesse aceitado o cargo no passado, Daniel Monteiro preferiu adotar uma postura cautelosa e afirmou que não trabalha com cenários hipotéticos. “Como fui muito incisivo ao recusar o convite de forma pública, não tenho nem por que problematizar isso na minha cabeça. Eu tenho que pensar no futuro, não no passado que não aconteceu", encerrou. Enquanto o projeto que altera as regras de licença dos parlamentares cuiabanos segue sua tramitação na Câmara Municipal sem enfrentar resistência por parte da base governista aliado ao prefeito, Daniel Monteiro sinaliza que manterá seu foco de atuação adstrito ao Poder Legislativo. O parlamentar deve continuar acompanhando de perto o desfecho das investigações que sacodem o cenário da educação pública em Mato Grosso.