Véspera de convenções: MDB vive impasse entre projeto de Pivetta e aliança nacional com Wellington Fagundes
Por Luizão —

Legenda debate se retorna à base do governador ou se segue diretriz de 17 estados em chapa com o PL, enfrentando resistência de bolsonaristas como Abilio e Medeiros.
Às vésperas da abertura oficial das convenções partidárias para as eleições de outubro de 2026, o destino político do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) em Mato Grosso permanece cercado de indefinições. O partido encontra-se profundamente fraturado entre dois caminhos estratégicos na disputa pelo Palácio Paiaguás: retornar formalmente à coalizão de sustentação do atual governador e pré-candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos) , ou chancelar o embarque no projeto majoritário liderado pelo senador Wellington Fagundes (PL) . O nó tático envolve o alinhamento com a executiva nacional da sigla, que já fechou consórcios eleitorais com o Partido Liberal em 17 estados da Federação. No cenário doméstico mato-grossense, contudo, a engenharia ganha contornos de alta complexidade familiar e paroquial, visto que a presidente estadual da legenda, deputada Janaina Riva , é nora de Wellington Fagundes. Resistência de bolsonaristas e o fator Rosana Martinelli Apesar do indicativo nacional de união de forças, a entrada do MDB na chapa do PL sofre um bombardeio interno promovido pela ala mais ideológica do bolsonarismo em Mato Grosso. Lideranças de proa como o deputado federal e pré-candidato ao Senado José Medeiros (PL) e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) , já externaram restrições públicas severas contra a inclusão dos emedebistas na chapa majoritária de Fagundes. A ex-prefeita de Sinop e suplente de senadora, Rosana Martinelli (MDB) — que hoje atua como pré-candidata a deputada federal após militar nos quadros do próprio PL por mais de uma década —, minimizou o fogo amigo. Martinelli, que desponta nos bastidores como o nome preferencial para ocupar a vaga de candidata a vice-governadora na chapa do PL, argumentou que o tensionamento é superficial: Visão de Consenso: “Neste momento, o meu foco é a construção da candidatura à deputada federal. Entretanto, vejo que essa resistência de alguns integrantes do PL está muito mais relacionada a posições pessoais do que partidárias. O MDB está aberto ao diálogo, porque a política é, acima de tudo, a arte de conversar e construir consensos” , ponderou; Histórico de Rivalidades: Para interlocutores, o distanciamento decorre do recall histórico das últimas campanhas, nas quais PL e MDB atuaram em trincheiras opostas no estado. Pivetta joga nos bastidores para neutralizar força de Janaina A percepção do risco eleitoral gerado pela musculatura política de Janaina Riva caso ela se engaje ativamente na campanha do sogro acendeu o sinal de alerta no Palácio Paiaguás. Estrategistas ligados ao governador Otaviano Pivetta intensificaram as investidas e os acenos políticos direcionados à cúpula do MDB nas últimas semanas. O comitê republicano avalia que isolar Fagundes do tempo de TV e do capilarizado apoio de prefeitos do MDB é uma meta prioritária para blindar o plano de reeleição. O próprio Pivetta confirmou a existência de rodadas de conversação institucional com a direção emedebista. O grande obstáculo prático para a assinatura da paz reside na acomodação espacial e no grau de protagonismo que o bloco governista conferirá a Janaina Riva na chapa majoritária de 2026, uma exigência inegociável para que o MDB decline da rota traçada pela executiva nacional e permaneça sob as asas do governo do estado.