Vídeo com IA de Bolsonaro gera dilema para Flávio
Por Luizão —

Defesa nega que ex-presidente tenha autorizado material exibido na convenção do PL; TSE deve avaliar se conteúdo configura deep fake.
Com a negativa da defesa de Jair Bolsonaro de que o ex-presidente tenha autorizado o vídeo produzido por inteligência artificial exibido na convenção do PL, a responsabilidade pelo material passa a recair exclusivamente sobre a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Caberá à Justiça Eleitoral avaliar se o conteúdo configura 'deep fake', técnica que permite alterar vídeos ou fotos com auxílio de IA e que é proibida durante as eleições. O relator da ação, apresentada pelo PT, é o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O conteúdo do vídeo
No material, o ex-presidente diz estar 'preso e calado por uma decisão arbitrária', mas afirma que 'nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança'. A gravação ainda pede que os apoiadores recebam Flávio 'de braços abertos' como candidato ao Planalto.
O senador deve alegar que está em período de pré-campanha e que, por isso, não poderia ser punido pelo uso da tecnologia. Outro argumento da defesa é que a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também publica, em suas redes sociais, conteúdos produzidos com IA.
Determinação de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para que os advogados de Bolsonaro esclareçam se ele autorizou o uso de sua imagem e voz na produção do vídeo.
Nas suspeitas que recaem sobre o ex-presidente, Moraes apontou possível descumprimento das medidas impostas na condição de prisão domiciliar. O magistrado lembrou que Bolsonaro está com os direitos políticos suspensos, devido à condenação criminal por tentativa de golpe de Estado, e que está proibido de acessar redes sociais, mesmo que indiretamente.
Uso da imagem de Bolsonaro
A campanha de Flávio conta com o uso da imagem do pai para subir nas pesquisas de intenção de voto. O episódio do vídeo com IA ocorre menos de um mês após a leitura, pelo filho, de uma carta do ex-presidente na internet.
À época, a defesa de Jair Bolsonaro disse que ele 'jamais soube' que a carta divulgada por Flávio seria publicada nas redes sociais. A manifestação ocorreu depois de Moraes determinar explicações sobre suposta violação de cautelar, após a divulgação de um manuscrito em que Bolsonaro manifestava apoio à pré-candidatura do filho. Por causa do episódio, o magistrado proibiu o senador de visitar o pai por 90 dias e afirmou que o parlamentar é reincidente no descumprimento de medidas cautelares.