Zanin cobra PGR para intimar produtor ligado a Zampieri
Por Luizão —

Ministro do STF dá 10 dias para notificar Bernardo Mazzutti, investigado na Operação Sisamnes por suposto repasse de R$ 5,2 milhões em dinheiro vivo.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tome medidas com urgência para intimar formalmente o produtor rural Bernardo Mazzutti. Alvo de denúncia por corrupção, lavagem de capitais e organização criminosa na Operação Sisamnes, o empresário permanece como o único réu que ainda não foi citado nos autos da ação penal.
A deliberação estabeleceu um prazo improrrogável de 10 dias para que os procuradores localizem o produtor rural:
'Trata-se, relembro, do único denunciado ainda não notificado formalmente nos autos, mostrando-se indispensável que se confira razoável celeridade quanto a possíveis diligências necessárias para o impulsionamento do feito. Manifeste-se, pois, a Procuradoria-Geral da República', assinalou o relator no STF.
Disputa por fazenda de R$ 70 milhões e decisões compradas
As apurações apontam que Bernardo Mazzutti recorreu aos serviços do advogado Roberto Zampieri (morto a tiros em Cuiabá no final de 2023) e do lobista Andreson Oliveira Gonçalves para obter decisões favoráveis em uma disputa judicial bilionária envolvendo a Fazenda Eldorado, localizada em Barra do Garças, avaliada em cerca de R$ 70 milhões e hipotecada ao Banco Bradesco.
Segundo a denúncia da PGR, o esquema aliciou o então servidor do STJ Márcio José Toledo Pinto, que atuava no gabinete da ministra Isabel Gallotti. Laudos periciais comprovaram que o funcionário redigia minutas antecipadas das sentenças e as enviava aos advogados antes da publicação oficial. Ao comparar a decisão com o rascunho vazado, Zampieri comemorou com os parceiros via aplicativo de mensagens: 'até a vírgula é igual' e 'parabéns, meu amigo'.
Repasses em espécie e desdobramentos da Sisamnes
O levantamento contábil da Polícia Federal identificou repasses de R$ 7,42 milhões transferidos por Mazzutti a Roberto Zampieri entre 2021 e 2023. Desse montante, mais de R$ 5,2 milhões (70%) foram liquidados por meio de saques em cédulas vivas para dissimular os pagamentos ilícitos destinados aos operadores judiciais.
A Operação Sisamnes, iniciada no final de 2024 a partir de dados extraídos do telefone de Zampieri, já soma mais de dez fases e provocou a demissão de servidores no Superior Tribunal de Justiça e o afastamento de magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), entre eles os desembargadores Sebastião de Moraes, João Ferreira Filho e Dirceu dos Santos, além do juiz Ivan Lucio Amarante.